A HISTÓRIA SE REPETIU, REALMENTE…

A HISTÓRIA SE REPETIU, REALMENTE…

Parece atual, mas não é.

Ondas de imigrantes provenientes do Oriente Médio, da África e da Ásia invadem a capital. A população nativa sofre forte declínio devido aos métodos contraceptivos e principalmente ao abortamento indiscriminado. A prostituição é profissão legalizada, enquanto o lenocínio é descriminalizado. O homossexualismo é prática corriqueira e bem aceito na sociedade. A traição conjugal é disseminada entre homens e mulheres, e a fidelidade conjugal é a exceção da regra. As mulheres exercem quase todos os ofícios, e a emancipação feminina é estimulada.
Não, senhores, não estamos comentando as manchetes da Folha de São Paulo do último domingo. Não são assuntos próprios, exclusivos e privativos do século XXI. Os excertos a seguir foram extraídos do livro História da Civilização”, de WILL DURANT, edição de 1940, tradução de Monteiro Lobato.

Durant foi um filósofo, historiador e escritor estadunidense, conhecido por sua autoria e coautoria, junto à sua esposa Ariel Durant, da coleção A História da Civilização. Por sua vez, estes excertos são trechos escolhidos das Sátiras do poeta e retórico romano JUVENAL (Decimus Junius Juvenalis; Aquino, entre 55 e 60 – Roma, depois de 127), e de MARCIAL, (Marcus Valerius Martialis; 38-104 d.C., Bílbilis Augusta, atual Calatayud, Espanha – 102), e refletem a moral e os costumes do primeiro século de nossa era. Vamos a eles:

 

…as classes alta e média aprenderam a distinguir entre sexo e proliferação. Nos primeiros tempos a criação de filhos constituía um dever de honra para com o estado; agora o absurdo era querer mais gente numa metrópole já tão povoada. O casamento, aquela antiga união econômica para toda a vida era agora para milhares de romanos uma aventura passageira, um frouxo contrato para troca de satisfações fisiológicas e ajuda política.
… a fim de manter-se com a mesma liberdade das solteiras, algumas mulheres casavam-se com eunucos, muitas outras com maridos de fachada, pobres homens que lhes permitiam ter quantos amantes quisessem. Sêneca dizia que a mulher casada que se satisfazia com apenas dois amantes era um modelo de fidelidade.
… os sistemas para evitar filhos eram mecânicos e químicos. Quando falhavam, recorria-se ao aborto.
… os romanos legalizavam os profissionais do sexo. Bordéis (lupanária) e prostitutas (meretrices) eram registrados na municipalidade. Algumas mulheres se registravam como prostitutas para evitar as penalidades que incidiam sobre as adúlteras. A prostituição masculina acompanhava a feminina. Condenado pela lei, mas tolerado pelos costumes, o homossexualismo florescia. Os melhores epigramas de Marcial giram em torno da pederastia, e uma das menos publicáveis sátiras de Juvenal é sobre a queixa de uma mulher contra a ultrajante competição.
Dizia Juvenal ao marido: rejubila-te, dá-lhe de beber a poção… porque se ela der à luz a um filho, poderás vira ser pai dum etíope.
Mas a esterilidade dos ricos era compensada pelo afluxo migratório e pela fecundidade dos pobres. A população da cidade era de quase dois milhões de pessoas, e a do império de 120 milhões.
Os primeiros chegados foram os gregos. Nas ruas de Roma era mais fácil ouvir-se o grego que o latim. Uma grande colônia de egípcios localizava-se no Campo de Marte. Sírios afáveis e astuciosos espalhavam-se por toda a cidade, no comércio e nos ofícios. No tempo de César os judeus formavam parte substancial da população. A estes, acrescentamos os numidas, os etíopes, os núbios, os árabes, partas capadócios, armênios, frígios, bitínios e bárbaros da Dalmácia, Trácia, Germânia, Gália e Britânia. Juvenal queixava-se que o Orontes, rio da Síria estava desaguando no Tibre. A religião de Roma seria uma religião oriental, com os senhores do mundo ajoelhados diante do deus dos escravos.
A vitoriosa Roma iria ser condenada pela própria vastidão de suas conquistas, teria seu velho sangue diluído naquele oceano de súditos e suas classes superiores absorvidas pelos outrora escravos. A quantidade abafa a qualidade, o conquistado fecundo senhoreou a casa do conquistador estéril.

Colaboração de: Regis Palombo Maluf

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