Emprego e Criação de Valor

Emprego e Criação de Valor

Início de ano é o momento para tomada de importantes decisões, ou reforço nas demandas não atingidas. A busca por trabalho em fase de crise econômica é sinal de esperança para manter a dignidade e garantir subsistência.

Aos que já estão profissionalmente ocupados, mostram pesquisas recentes um desejo majoritário de mudar de emprego, em rumo a melhores rendas, maior valorização corporativa e qualidade no ambiente do trabalho.

Enfim, reconhecimento e expectativas positivas são sempre importantes na força produtiva de um povo, em todas as suas dimensões: empreendedorismo, investimentos e esforço humano direto.

Mas ainda que entre as corporações de emprego, classes ou grupos profissionais, cada integrante tenha orgulho de sua contribuição, é indispensável e louvável um exercício de humildade para analisar o grau de valor gerado para a comunidade, uma percepção que tem aspectos subjetivos e objetivos, capazes de orientar correções na maneira de pensar, agir e inovar.

O que produzo mostra utilidade direta a outro setor, sendo indispensável para sua existência ? É gerado conforto, bem-estar, enriquecimento intelectual coletivo, saúde, progresso tecnológico, pacificação ou harmonia, produtividade geral por redução de tempo ou custos ?

Não é incomum a realização de tarefas repetidas historicamente, sem mais nenhum efeito positivo nas respostas a estes parâmetros de avaliação. Principalmente no serviço público, dada sua natureza formal e pouco adaptável às mutações da realidade social, uma permanência de padrões cristalizados de conduta ou produção, sem que nenhum valor seja gerado.

De forma bem pragmática e sem reservas, com só objetivo de crítica evolutiva, façamos uma medição do retorno produtivo efetivo da Justiça brasileira, responsável por garantir e estimular o cumprimento dos contratos e equilibrar as relações humanas para que se mantenham harmoniosas.

A tabulação anual em método matemático de resultados, realizada no próprio Conselho Nacional de Justiça – CNJ – já considerada a natural tendência a relevar pontos negativos em autoavaliação, demonstra em seu relatório periódico de produtividade, grave desserviço ou entrega de quase nulo valor à sociedade.

A máxima consagrada: justiça lenta é ausência de Justiça, é a face mais evidente deste problema, reconhecido no próprio corpo judiciário. Decisões desgarradas dos valores e fatos sociais de relevo, controles demorados dúbios e desnecessários, contradições burocráticas, tudo isso gera acúmulo de papéis no senso estrito, na contrapartida do acúmulo de angústias, sofrimentos, indignação e injustiça.

70% das demandas judiciais, segundo o referido relatório oficial, não chegam a nenhuma conclusão, protraindo-se os 30 % restantes sobre uma média de 15 anos, entre decisão de conhecimento, recurso e execução.

Além de não atender a nenhum dos critérios de geração de valor, o custo de manutenção do aparelho de justica estatal é de dezenas de bilhões de reais ao ano, o que ainda se eleva em progressão geométrica ao serem considerados demais interlocutores, ou operadores do Direito.

A externalidade negativa somada a estes custos gigantescos sem retorno para a sociedade, é uma das causas essenciais para a crise de valores que há décadas atinge o país. Qual seja, não é suprido o elemento primordial para desestímulo aos ilícitos contratuais, civis, administrativos e penais: o temor da punição.

Empresas de médio e grande porte há muitos anos desacreditam no Judiciário e recorrem à arbitragem e compliance cruzado, para punir seus pares na cadeia produtiva, garantir cumprimento de contratos e manter a evolução dos negócios. Banimento comercial, reputação socioambiental negativa, entre outras medidas eminentemente práticas, revivem este saudável e pedagógico temor punitivo.

A população comum e muito mais numerosa, em contraponto, não tem como se beneficiar deste instrumento, vivendo a perene aflição por contratos de consumo, bancários e de relações civis, descumpridos aos montes, repercutindo na desarmonia de todas as relações humanas e o que dá real sentimento ao povo brasileiro, de viver em uma terra sem lei, a exemplo do velho e simbólico far west norte americano.

Lembre-se que uma das mais ferozes e pouco solúveis formas de violência, é a indiferença.

Pense também em sua atividade profissional, o quanto é contributiva, ou meramente instrumental. Faça as mudanças ou estimule a renovação de suas práticas, no segundo caso, para inovar na criação de valor.

Justiça em Números 2018 : CNJ

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