Categoria: Tributário

Quanto custa um erro legal?

Quanto custa um erro legal?

Empresário médio e pequeno, sabe qual o custo do erro legal e burocrático no Brasil ?

Para atraso em tributos ou equívoco na sua apuração contábil-fiscal, se não declarado espontaneamente, 150 % do valor devido como multa de ofício.

Para descontos em folha, IR na fonte e contribuições, além da multa com execução fiscal certa, entendimento crescente na Justiça Feferal para crime de apropriação indébita, pena superior a 4 anos que não permite alternativas à prisão.

São drenos fortes no seu fluxo de caixa, gastos extraordinários sem previsão de limites com defesas administrativas e judiciais, além do peso de uma investigação ou ação penal sobre a cabeça por anos.

Interdição do negócio e bloqueio de

bens, incluindo movimentação bancária, também podem ocorrer em situações de débito pretérito elevado: ao menos os últimos 5 anos, ou por constatação de dano ambiental grave, descumprimento de obrigações ligadas ao bem-estar e saúde do trabalhador.

Direito preventivo afasta você das encrencas.

Pode sim, contribuindo com pouco mais de 52 reais mensais em aliquota única e fixa para tributos federais, estaduais ou municipais, incluindo previdência oficial.

Terá direito a benefícios previdenciários, entre outros, como crédito ou microcrédito para capital de giro e financiamento para adquirir bens de capital destinados à atividade fim.

Escolha o seu.

Escolha o seu.

Você empreendedor, sabia que desde 1980 vigora o regime tributário simplificado para compras via remessa postal internacional, para valores até 3 mil dólares ou equivalente em outra moeda, incidentes consolidados tributos federais em 60%, podendo haver isenção completa para medicamentos aqui autorizados pela ANVISA, no valor de até 10 mil dólares.

Controvérsia há nas compras mensais para um mesmo contribuinte, com isenção também total, para unidade adquirida de valor aduaneiro ou declarado coincidente, até 100 dolares, enquanto por simples portaria – norma infralegal – a Receita Federal insiste em criar embaraços aduaneiros passíveis de contestação simples, limitando esta isenção até 50 dólares.

O IMPOSTO de RENDA e sua INCIDÊNCIA sobre os JUROS

O IMPOSTO de RENDA e sua INCIDÊNCIA sobre os JUROS

João Paulo Carnevalli de Oliveira

Uma questão que suscita acalorados debates na lides judiciais é a da incidência do imposto de renda sobre os juros.

Há uma tese pró-contribuinte que sustenta simplesmente que os juros pagos em ações trabalhistas e previdenciárias são indenizatórios e, consequentemente, reparatórios de uma perda. Nesta condição, não representariam jamais um acréscimo patrimonial a quem o recebe: reporiam, como dito, uma perda. Desta feita, a percepção dos juros não estaria abrangida pela hipótese de incidência do imposto de renda tal qual delineada na legislação tributária.

Esta tese ainda não encontra acolhida nos tribunais, mas há variações menos abrangentes que acabam por sustentar, com relação aos juros, a não incidência do imposto de renda, ou mesmo a isenção.

Dois julgados relativamente recentes do Superior Tribunal de Justiça abordam o tema.

Juros Recebidos na Rescisão do Contrato De Trabalho

O primeiro, sob o rito dos recursos repetitivos, consolida o entendimento de que os juros recebidos em ações trabalhistas alusivas à rescisão de contrato de trabalho são isentos do imposto de renda. Eis a ementa final do julgado, que é de dezembro de 2011:

EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133 – RS (2010/0230209-8)
RELATOR : MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA
EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL
PROCURADOR : PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
EMBARGADO : ROGIS MARQUES REIS
ADVOGADOS : CARLOS PAIVA GOLGO E OUTRO(S) EGÍDIO LUCCA FILHO E OUTRO(S)
EMENTA
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. – Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve-se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação:

“RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.
Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC, improvido.” Embargos de declaração acolhidos parcialmente.

Do ponto de vista legal, a isenção encontra suporte em dispositivo da lei 7.713/88

Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas:
[…[
V – a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço;
Anota-se que a ementa, como ao final restou redigida, não explicita que a isenção (a ementa, a propósito, fala em não incidência) só ocorre quando as verbas trabalhistas e os juros são recebidos no contexto de rescisão do contrato de trabalho. Com isso, diversas ações têm buscado amplificar a ‘não incidência’ estabelecida no Recurso Especial 1.227.133 para abranger toda e qualquer verba recebida numa ação trabalhista, ainda que não vinculada a uma despedida ou rescisão de contrato de trabalho.

Juros Acessórios de Versas Isentas

O segundo julgado do STJ trata-se de outra hipótese de não incidência ou isenção dos juros. Trata-se da decisão prolatada no Recurso Especial 1.089.720, datada de outubro de 2012. Nela restou basicamente estabelecida a isenção indireta ou reflexa, que é a isenção dos juros incidentes sobre verbas principal isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda. Segundo este entendimento, se o principal é isento, os juros sobre ele calculados também o são.
A previsão tem potencial aplicabilidade no caso de ações que discutem rendimentos recebidos acumuladamente, e a tributação em regime de caixa ou de competência, já que muitas vezes o principal, adotado o cálculo do imposto de renda pelo regime de competência, estará nos limites inferiores da tabela de imposto de renda, na faixa de não incidência. Os juros sobre ele calculados, consequentemente, também não deveriam ensejar pagamento do imposto de renda. O julgado dá margem a que se considere apenas o principal (sem os juros) para análise da incidência ou não do imposto de renda na tabela contemporânea ao momento em que este principal deveria ter sido pago. Eis a ementa do julgado:

RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.720 – RS (2008/0209174-0) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : SETEMBRINO DAL BOSCO ADVOGADO : ALDO BATISTA SOARES NOGUEIRA E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia “. 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pel o mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócio-econômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também &agrav e;s verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 – RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. . O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do “accessorium sequitur suum principale ”. 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item “3”, subsistindo a isenção decorre nte do item “4” exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n. 8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: l Principal: Horas-extras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; l Acessório: Juros de mora sobre horas-extras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; l Principal: Décimo-terceiro salário (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; l Acessório: Juros de mora sobre décimo-terceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; l Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); l Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido.

Em conclusão, há diversas hipóteses em que o judiciário tem se mostrado inclinado a entender pela não incidência do imposto de renda sobre os juros, ou mesmo pela isenção do referido tributo, na linha acima detalhada.

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