Academia Versus Mercado

Academia Versus Mercado

Desde a década de 70 e ainda em plena fase da revolução militar no Brasil, a educação passa por experiências de renovação para resgate de sua fraqueza histórica. Não esqueçamos que nossos maiores oradores, poetas, cientistas, juristas, artistas e até inventores, ficaram restritos às primeiras gerações no século passado, o que demonstra um ambiente em algum momento histórico de nossa evolução, no qual o conhecimento era repassado ou adquirido com muita solidez e qualidade, bem sintonizado com os anseios e demandas da sociedade contemporânea.

Nos últimos 35 a 40 anos nossa renda bruta total era semelhante a de grandes “tigres asiáticos” e principalmente da então limitada economia centralizada e agrária da China, mas atualmente estes países estão em patamar de distribuição de riqueza, infraestrutura tecnológica e competitividade, décadas a nossa frente. Onde e quando erramos ? Tomamos decisões de Estado extremamente equivocadas tão logo iniciamos a denominada fase de “redemocratização”, por puro ranço e movimento reacionário exacerbado contra possível retorno do poder político militar. Sob esta visão e suas decorrentes justificativas, muitas disciplinas e áreas de conhecimento foram derrogadas ou mitigadas a patamares insignificantes, enquanto havia forte estímulo a toda sorte de disciplinas da chamada “liberdade do pensar humano”, com apoio a expressões artísticas, filosóficas, religiosas, sem uma contrapartida ou equilíbrio com os recursos dados para as ciências naturais.

Foi deste movimento que resultou nossa proliferação de títulos universitários com pesquisas nulas de sentido ou aplicação prática, ampliando-se sem medida a dissociação de produto acadêmico e necessidade industrial, além da política pública que cedeu à tentação de manipular índices de qualidade e quantidade na educação, através do total descontrole na abertura de novas instituições de ensino, tornando o Brasil o país com maior número de faculdades ou universidades voltadas ao pós-graduação em áreas diversas, em todo o planeta, sem que em retorno tivéssemos produção científica, literária ou de qualquer outro valor cognitivo, publicada ou reconhecida em organismos de excelência mundiais.

Iniciou-se sem ainda vislumbrar-se o fim, uma era nefasta da multiplicação de “academias do faz de conta”, ou do chamado “ensino caça-níqueis”, cursos sem nenhum parâmetro concreto de qualidade ou de base curricular erigida em conjunto com o mercado de trabalho, nos quais alunos fingem que aprendem e mestres simulam passagem de conhecimento. Grandes universidades públicas federais e estaduais perdem seus acadêmicos mestres por perecimento, são ordenadamente sucateadas e deixam de posicionar-se entre as grandes instituições de ensino mundiais a cada ano.

Formamos legiões de pobres jovens aos milhões e milhões, muitos deles analfabetos funcionais com titulação superior, sem ter vivenciado estudo prático em laboratórios de física, química, robótica, ou ter mantido íntimo contato com grandes empresas fabris em variados setores da economia. Nossa antes aclamada classe de técnicos, arquitetos e engenheiros, foi reduzida a pó, havendo constante necessidade de contratação de expatriados para simples funções empresariais na engenharia de processos ou de produção. Que futuro estamos preparando para estas gerações de ineptos estudantes e enriquecidos estelionatários ou mercenários da educação ?

Os paradigmas mudaram e permanecem em mutação veloz constante no mundo do conhecimento. Dezenas de profissões estão sendo extintas ou fadadas à inexistência em poucos anos: corretores de seguros e imóveis, agentes de turismo, digitadores, repórteres jornalísticos, contadores, fiscais de tributos, etc., tudo em face das tecnologias precisas e baratas que substituem com eficiência a produção repetitiva de funções sem massa crítica criativa.

Sistemas especialistas que eram uma orla científica que beirava a ficção nos anos noventa, hoje são realidade a ser implementada e com significância tão forte que já se espera nova revolução na classe de nações dominantes e dependentes. É desta seara a inteligência artificial associada ao processamento e armazenamento de dados em nuvem, com poder computacional distribuído em múltiplos centros, fazendo até mesmo com que áreas antes de impensável saber retirado do ser humano, passem a ser protagonizadas por máquinas, a exemplo do projeto Watson da IBM, entre outras iniciativas prontas nas congêneres Oracle, Google, Apple e Microsoft.

A eufemística expressão “negócio cognitivo” vai representar a substituição intensiva de profissões antes liberais e de relevo social, por softwares integrados por memória inesgotável de dados e padrão de pesquisa cognitivo com auto-aprimoramento. Consultas médicas em anamnese clínica de múltiplas especialidades, podem ser feitas por sistemas remotos e distribuídos, sem necessidade de um médico em camadas de triagem nos postos de saúde. O mesmo vai se dar em consultas jurídicas, econômicas, fiscais, entre tantas outras. Para onde irão advogados, clínicos gerais, economistas, contabilistas……

Pense rápido e INOVE, reavalie seus conceitos e não se deixe contagiar por muitas promessas comercias de ensino superior que nada formam, muitas vezes até deformam, garimpe o que é verdadeiro com fontes e referências fieis. O conhecimento foi liberto e a academia hoje é um espaço virtual sem fronteiras.

 

 

One Reply to “Academia Versus Mercado”

  1. Lendo este post vejo o quanto inovar é fundamental em todas as áreas… Aproveito para repensar valores e projetar novas perspectivas!

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