A moda do individualismo insensível

A moda do individualismo insensível

Até quando continuará crescendo o número de adeptos e a intensidade do “não é comigo” ?

Uma povo tem seu amalgama por identidade de linguagem, tradição, pertencimento a território comum e, principalmente, pela confiança social que estimula relações e cria progresso, a partir da força coletiva.

A conhecida fórmula da resultante muito mais elevada do que a somatória de individualidades, não pode prescindir da boa-fé, solidariedade e profundo respeito ao conjunto.

É sentimento geral por décadas e até gerações no Brasil, caso objeto de análise e estudos profissionais da psicologia e antropologia, algo que internalizamos no cotidiano como normal, rumo inevitável da vida, mas que revela grave e crônica patologia social.

Os custos e riscos sempre elevados para termos uma simples troca de produtos e serviços, em conta do descaso recíproco, não comprometimento com bom resultado, indiferença, má-fé e total desapego à responsabilidade, dever e qualidade.

Veja se você se identifica com algumas situações ilustrativas deste comportamento que desagrega e empobrece a nação brasileira.

Quantas vezes você precisa implorar a um prestador de serviço qualquer que realize sua tarefa, para a qual não se está recusando justo pagamento ?

Qual a frequência de produtos entregues com avarias, incompletos, ou sem cumprimento fiel de garantias, com eliminação total das responsabilidades do vendedor após o pagamento ?

Quantos contratos de objetos quaisquer são cumpridos regularmente e sem a necessidade de demandas conflituosas para que uma das partes, simplesmente cumpra com sua palavra formalmente empenhada: accountability ?

Nas mais efêmeras e banais trocas de informação, quantos são os contatos não atendidos, não retornados ou simplesmente ignorados, inviabilizando comunicação, estimulando a desconfiança e o egoísmo ?

Some de forma abstrata em exercício mental, quantas vezes tais situações ocorrem para você como pólo vitimado, ou na ponta de agressão por insensibilidade absoluta.

Avalie quantas oportunidades de negócio perdeu, possibilidades de crescimento pessoal desperdiçou e de propagação de bem-estar obstaculizou. Será mesmo esta a nova resultante que pretendemos para o Brasil, a da subtração sucessiva de indivíduos até um ponto de total isolamento ?

Não haverá mais nação em seu conceito clássico depreendido dos elementos formadores essenciais, somente um grupamento disforme em constante atrito, tentando manter tão somente a sobrevivência de seus componentes, ou nem isso.

A banalização da violência e o descaso com a responsabilização por malfeitos, atribuindo a tudo um ingrediente de acaso ou destino, tira nossa força vital da indignação criadora, da repreensão enérgica em prol de correção e harmonia.

“Vou tirar meu corpo fora, fui, partiu, vazei, dei área….” são expressões populares que ganharam significância nefasta em nossas relações humanas, traduzindo-se como “não faço parte, não me interessa, não me comove…”.

Há algum futuro promissor nesta sociedade ? Dirigentes e autoridades vão lutar e se empenhar por resultados benéficos, sempre voltados ao todo, ou só para si próprios em autopreservação de privilégios adquiridos ?

Não leia estas palavras em vibração de pessimismo ou crítica em si mesma, pense que as grandes nações e sua abundância, riqueza e felicidade, derivam justamente destas pequenas mudanças individuais de comportamento.

A massa crítica como ideal das ciências para representar capacidade criadora plena de um sistema, ou estado físico-quimico, só é imposta em um tecido social quando seus elos ou tramas são fortes, confiáveis, capazes de sustentar pesos elevados e resistir a impactos e esforços significativos.

Olhando para nosso umbigo, qual esforço nós brasileiros seremos capazes de fazer ou resistir, continuando num estado de dissociação, repelência e individualismo extremo ? E aqui não se trata de pensamentos políticos diferentes ou de ideologias e posições econômicas diversas, trata-se de inteligência celular.

Somos um corpo e ao evitarmos em série e por muito tempo a interdependência sincera e produtiva, vamos realizar aquilo que num organismo vivo individual se conhece por doença.

Mude sua percepção de mundo acreditando no Brasil por meio de atos concretos. Não permita injustiças, por menores que sejam, em seu âmbito de convivência: no emprego, escola, vizinhança, clube.

Aja assumindo responsabilidades, mesmo que estas representem riscos e custos ao primeiro olhar, nada paga a sensação de dever cumprido e bem-estar gerado.

Estimule nos seus filhos este ideal como valor indispensável, construindo um poderoso remendo em nosso tecido social que talvez um dia, substitua totalmente o anterior como malha nova fortalecida.

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