ACELERA BRASIL

“Brasil imunizado, somos uma só nação”, slogan da campanha de vacinação federal, é a maior expressão de que, na vida cotidiana, o ideal republicano não é como imaginamos ser. A “coisa pública” deixa de ser um princípio que orienta políticas públicas, e passa a ser uma forma de criar embate institucional, do qual se torce para que haja uma solução verdadeiramente democrática.

Se, para o cidadão comum, a vacinação é imprescindível ao combate ao coronavírus, condição necessária inclusive para a retomada da economia, para os políticos, tornou-se uma arma. Não há, no embate entre João Dória e Jair Bolsonaro, uma preocupação – ao menos genuína – com a saúde pública, mas, sim, com as eleições de 2022. É nítida a intenção do governo federal em antecipar o período de vacinação: para que Dória não seja o primeiro a ser fotografado tomando vacina. Afinal, isso daria ao governador de São Paulo a vitória da “corrida pelas vacinas”.

Diante desse contexto beligerante, percebe-se que só é possível uma resposta democrática quando as instituições são bem consolidadas no País, como afirmam Steven Levitsky e Daniel Ziblatt na obra “Como as Democracias Morrem?”. Ao invés de se esperar boa vontade de governantes, deve-se, isso sim, reforçar as instituições no Brasil, para que, mesmo diante dos embates institucionais, seja possível alcançar a o interesse público.

Por ironia do destino, o slogan da campanha de João Dória em 2016, “Acelera, São Paulo !”, se concretizou. A disputa política entre ele e Bolsonaro acabou “acelerando” o programa de vacinação federal. Se foi ou não por acaso, fato é que precisamos urgentemente fortalecer nossas instituições, para não ficarmos à mercê de brigas políticas.

Régis Francisco Maluf

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