Outro Ministro Fake, agora para o STF

Outro Ministro Fake, agora para o STF

A DÚVIDA DO BENEFÍCIO

Engane-me pela primeira vez, e a culpa será sua. Engane-me pela segunda vez, e a culpa será minha. Sob esse provérbio chinês, cabe o questionamento: devemos confiar em Kássio Nunes Marques?

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e cotado para assumir a vaga no STF deixada por Celso de Mello encontra-se repleto de polêmicas nesse período de pré-sabatina, entrando em verdadeiro descrédito perante a opinião pública. Discute-se se ele realmente possui a reputação ilibada exigível dos ministros da mais alta corte de nosso país.

Isso ocorreu após levantamentos da Mídia mostrarem inconsistências no currículo de Kássio Nunes, disponibilizado publicamente no site do TRF-1. O desembargador afirmou nesse documento que teria um “postgrado” em “Contratação Pública” pela Universidade de La Coruña, na Espanha. Porém, verificou-se que não existe nenhuma pós-graduação com esse tema na referida universidade. Em sua defesa, alegou que se tratava de uma coincidência semântica, pois “postgrado” seria o equivalente a um curso de aperfeiçoamento realizado após a graduação, que durou apenas cinco dias.

Diante de tal “coincidência”, seu nome foi envolvido em outra polêmica, talvez ainda maior. Kassio Nunes foi acusado de ter cometido plágio em sua dissertação de mestrado, havendo trechos literalmente copiados de um artigo publicado pelo advogado Saul Tourinho Leal. Isso ficou evidenciado pelo fato de que até mesmos erros de português foram reproduzidos.

Se, de início, parecia razoável dar-lhe o benefício da dúvida, agora pairam dúvidas sobre esse benefício. Com tantos equívocos, questiona-se se eles foram ou não propositais. Afinal, ter no currículo uma pós-graduação é mais vantajoso do que ter um curso de aperfeiçoamento de cinco dias. Além disso, cometer os mesmos erros de português de um trecho de um artigo publicado não pode ser considerado mera coincidência, mas, sim, verdadeiro plágio.

Por não ter sido transparente e honesto, Kássio Nunes Marques não parece ter condições de ocupar uma cadeira do STF, já que tais acusações fulminam a sua reputação. Da próxima vez que formos enganados, não será por culpa dele.

Autor: Régis Francisco Maluf

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